O livro ENTRENÓS

Plantas Medicinais e Saberes de Mulheres

ENTRENÓS – Plantas Medicinais e Saberes de Mulheres
Meu nome é Nayara, moro em um distrito do município de Ouro Preto, com pouco mais de 1.700 habitantes. Sou Bióloga de formação, com mestrado em Biologia Vegetal e, atualmente, trabalho com a fabricação artesanal de produtos naturais que possuem, como base, as plantas de campos do Cerrado e outras cultivadas de forma orgânica nos quintais da região.

As plantas medicinais estão presentes no meu dia a dia: no trabalho e no uso para prevenir e sanar distúrbios físicos e energéticos. Acredito que carregam a energia da terra, uma força poderosa, e tenho por essas, muito respeito!

Um chá, que parece simples, pode ser muito poderoso em algum momento de necessidade. Sempre gostei de plantar. Em Belo Horizonte, eu praticava agricultura urbana com diversos experimentos de cultivo em espaços pequenos e as ervas medicinais sempre me interessaram.

Penso que muitas pessoas já tiveram algum tipo de contato com essas plantas para fins medicinais, seja no preparo de um chá ou para outros usos. Inclusive eu, já tomei muito chá de boldo indicado e preparado por .

O poder da oralidade

ENTRENÓS – Plantas Medicinais e Saberes das Mulheres
Os mais velhos são os grandes guardiões dos saberes das plantas e sempre repassam adiante essa sabedoria. Cabe a nós, jovens de uma geração cheia de tecnologia e bombardeados diariamente com estímulos de comportamentos e consumos modernos, perceber e valorizar alguns costumes antigos, importantes para a sobrevivência da nossa espécie ao longo do tempo.

Afinal, foram milhares de anos, entre erros e acertos, para reconhecer, cultivar e selecionar caracteres de plantas de acordo com o seu potencial medicinal e não podemos deixar que todo esse conhecimento tradicional, transmitido entre gerações, principalmente, através da oralidade, seja esquecido ou visto como secundário e sem importância.

A indústria farmacêutica, um dos setores que mais faturam no mundo, se apropriou desses conhecimentos tradicionais para produzir muitos medicamentos. Para atingir os objetivos mega lucrativos, investem pesado em estratégias de marketing, como propagandas e promoções, para aumentar as vendas e o uso desses químicos que, em muitos casos, além de provocar graves efeitos colaterais, são usados sem necessidade.

As mulheres perpetuam os saberes

ENTRENÓS – Plantas Medicinais e Saberes das Mulheres
Ocorre que, muitos desses medicamentos, poderiam ser substituídos pela utilização de plantas, evitando, assim, os altos preços cobrados e alguns efeitos colaterais. Por isso, é preciso incentivar a pesquisa e a divulgação sobre os efeitos e as indicações das plantas para fins medicinais. Essa foi uma das motivações para a produção do estudo coletivo do livro ENTRENÓS.

Outro fato relevante sobre as plantas para fins medicinais é o papel importante das mulheres na perpetuação desses saberes. Foram elas, as responsáveis diretas pelo reconhecimento e a utilização de várias plantas medicinais e pela transmissão desse conhecimento às novas gerações. Quem não tem na memória os ensinamentos e as receitinhas, por exemplo, de chás preparados pela mãe, tia ou avó?

Não é por acaso que grande parte desse conhecimento sobre os benefícios das plantas medicinais tem sido atribuído às mulheres. No contexto social, eram elas as responsáveis pelos cuidados com as famílias. Assim, recebiam e transmitiam os conhecimentos repassados entre as gerações sobre as ervas e os utilizavam para tratar e melhorar a saúde da família.

Desse modo, através do cuidado com os filhos e a família, com o plantio e a colheita, a preparação dos alimentos e remédios, esse conhecimento foi sendo difundido entre as mulheres e transmitido para as gerações posteriores.

Os nós que nos unem como mulheres

ENTRENÓS – Plantas Medicinais e Saberes das Mulheres
O livro ENTRENÓS teve como objetivo conectar os nós que nos unem como mulheres, principalmente na troca de saberes sobre as plantas medicinais que sempre esteve presente “entre nós”, bem como promover um estudo individual, já que cada mulher ficou responsável pela escolha e estudo de uma planta e, ao mesmo tempo coletivo, a partir da junção e a partilha das pesquisas.

No livro, trabalhamos a nossa conexão com as plantas e de uma com as outras. Cada mulher teve autonomia para escolher a planta de sua preferência, buscar informações sobre a mesma e, também, a liberdade para manifestar a sua relação com essa planta e o seu conhecimento a respeito.

Portanto, recebam esse trabalho como uma troca de saberes. Leiam, reflitam, repensem e aproveitem ao máximo que puderem dos benefícios das plantas medicinais. E, não se esqueçam de compartilhar!

Idealização e Coordenação: Nayara Trevisani
Ilustrações: Luísa de Paula Reis