Reciclagem de equipamentos e acessórios de energias renováveis

Logística Reversa

Reciclagem de equipamentos e acessórios de energias renováveis
Antes de entrar especificamente no assunto de reciclagem dos componentes de equipamentos e acessórios de energias renováveis (aerogeradores, painéis solares, baterias de chumbo ácido e periféricos eletrônicos), é importante ressaltar que, com exceção dos resíduos provenientes das usinas nucleares com partículas radiativas, praticamente tudo que é produzido pelas indústrias pode ser reaproveitado.

O que falta no Brasil, apesar de já existir a “logística reversa”, instrumento para aplicação da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, são políticas públicas de fiscalização para exigir dos fabricantes, independentemente de qual seja o material usado, o dever ambiental de receber de volta o resultado da utilização pelo consumidor final e impedir que a “sobra” seja descartada incorretamente ou despejada em lixões e aterros sanitários.

Entretanto, mesmo sem muitos incentivos governamentais, a indústria da reciclagem é um dos nichos de mercado que mais cresceu no Brasil nas últimas décadas. Empresários estão descobrindo que reciclar “lixo” é muito lucrativo e estão investindo volumosas quantias em máquinas, equipamentos e pessoal especializado para executar o trabalho de transformar sucata em dinheiro.

Plástico

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O primeiro e mais utilizado dos produtos industrializados, o plástico, está presente em quase tudo que utilizamos. Desde as escovas de dente, passando pelas canetas, calçados, caixas de água, partes automotivas, nos eletroeletrônicos, equipamentos e acessórios de energias renováveis e nas embalagens, em geral.

Portanto, é um dos produtos mais consumido na sociedade atual. Ao ser descartado, pode passar por um processo de reciclagem para garantir o reaproveitamento na produção do plástico reciclado que tem, praticamente, todas as características do material primário.

A reciclagem do plástico é de extrema importância para preservação da Natureza. Quando reciclamos ou compramos plástico reciclado, estamos contribuindo com o meio ambiente e impedindo de o mesmo ser levado para aterros sanitários ou de poluir rios, lagos, mar, solo, florestas e até de contaminar e matar animais silvestres, aves, peixes e crustáceos.

As etapas mais importantes no processo de reciclagem de plástico são a separação e a coleta seletiva. Nas empresas, indústrias, condomínios e outros locais de aglomerações e alto consumo deveriam existir espaços destinados ao descarte do plástico. Essa é uma atitude extremamente positiva e ecologicamente correta.

Nas últimas décadas, as indústrias de bebidas e de alimentos substituíram as embalagens de vidro e latas pelas de plástico pet. Por serem mais resistentes e econômicas, o pet está presente nas embalagens de sucos, águas, óleos e refrigerantes. Quando começou a ser usado, não era reciclado e seu descarte provocou (ainda provoca) muita sujeira e poluição ambiental. 

Atualmente, a reciclagem é praticada em larga escala por cooperativas e empresas especializadas e esse “lixo plástico" é transformado em fios de poliéster ou em outros produtos similares.

Vidro

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O vidro (usado também em painéis solares) é obtido pela fusão de componentes inorgânicos submetido a altas temperaturas e, consequente, resfriamento rápido da massa resultante até um estado sólido não cristalino.

O vidro, se descartado no ambiente, não o polui, uma vez que o material é inerte (não se degrada e não se desfaz). 

Mas, considerando o volume nos aterros sanitários, concordamos que o vidro é o campeão em entulhos, até por que não pode ser compactado como o papel; se feito isso, se transforma em perigosos cacos cortantes. 

Resultado: o vidro pode se acumular no ambiente ao ponto de não ter espaço suficiente para comportá-lo; é o que ocorre em países que não tem planejamento.

A melhor alternativa para o lixo vítreo é a reciclagem: um quilo de sucata de vidro dá origem a exatamente outro quilo de vidro novo. A maior vantagem é que pode ser reciclado infinitas vezes.

Alumínio

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A reciclagem de alumínio (moldura do painel solar) no Brasil é uma atividade antiga e se confunde com a implantação dessa indústria no país. 

Na década de 20, utilizava-se como matéria prima a sucata importada de outros países.

Nos anos 90, com o início da produção das latas no Brasil, a reciclagem desse metal foi intensificada e registra volumes cada vez maiores.

O resultado da reciclagem do alumínio é empregado na fabricação de embalagens, na construção civil, nas indústrias automotivas, siderúrgicas e de bens de consumo.

O alumínio sai da cadeia depois de utilizado e pode ser reaplicado em diferentes segmentos e gerar ganhos para todo o ciclo.

Baterias

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Em 2007, a produção de chumbo (usado nas baterias estacionárias e automotivas) secundário (extraído de sucatas) atingiu 142.450 toneladas. A indústria de baterias de chumbo ácido representa 84% do consumo brasileiro desse metal. A despeito da existência de estatísticas confiáveis, estima-se que a taxa nacional de reciclagem esteja acima de 80%. 

Esta estimativa é baixa e calcula-se que milhares de toneladas de chumbo ainda são estocadas, recondicionadas, dispostas inadequadamente ou perdidas, por ano, no Brasil. São números alarmantes, considerando a potencialidade de contaminação ambiental por metais e ácido e o fato de o país ser importador de chumbo.

Da reciclagem feita com baterias, além do chumbo recuperado, também são extraídas outras matérias primas que voltam à cadeia produtiva, ao invés de ir parar em aterro sanitário, como é o caso do plástico e do ácido sulfúrico, fechando o ciclo de uma economia circular. 

Nesse aspecto, é importante afirmar que baterias esgotadas têm alto valor de mercado, tanto é que quando um usuário troca a do carro, o vendedor sempre recolhe a usada.

Em termos de baterias estacionárias utilizadas para armazenar cargas em off-grid, acontece a mesma coisa: a bateria nova tem desconto se for à base de troca pela velha ou se o comprador levar um “casco”.

Cobre

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O cobre (usado nos motores e dínamos dos aerogeradores) é 100% reciclável e pode ser reutilizado diversas vezes, sem qualquer perda de desempenho ou de qualidade. A reciclagem desse metal representa importante nicho de mercado e é bem antiga no Brasil.

Pelo valor de recompra, é comum ver reportagens de roubos de cabos e de fiação elétrica pelo país afora. Resíduos de fios de telefone e de computadores, chicotes de motos e carros, dentre outros, são transformados em lucro. Embora pareça que sucatas não têm serventia, resíduos como os de cobre valem muito dinheiro.

A Política de Resíduos Sólidos determina que deva haver uma diminuição do lixo gerado e inserção de práticas de reciclagem. Logo, além do valor comercial, reciclar a sucata de cobre é uma boa prática alinhada à lei ambiental. Esse metal, quando descartado no meio ambiente, pode levar até 450 anos para decomposição completa.

A sucata de cobre é valorizada por que é resultado de um metal largamente empregado na indústria. O cobre é o terceiro metal mais utilizado mundialmente, só perdendo para os aços, o alumínio e suas ligas. Possui excelente condutividade elétrica, sendo largamente empregado na fabricação de materiais elétricos, puro ou em liga com outros metais.

Estanho

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O estanho foi um dos primeiros metais a ser utilizado, ainda nos primórdios da civilização humana. Ao longo dos séculos, culturas de várias épocas reconheceram a importância do uso deste metal, sob a forma de revestimentos, ligas e compostos. O uso do estanho aumentou com o avanço da tecnologia industrial. 

O aumento do consumo do estanho é estimado em relação à evolução da sociedade industrial, diretamente ligado pela propagação das embalagens alimentícias e a produção de veículos. As aplicações mais relevantes do estanho, atualmente, continuam a ser o mercado de embalagem com as folhas de flandres e as soldas, notadamente, destinadas às indústrias automobilísticas, de telecomunicações e de eletroeletrônicos. 

A carga morta de equipamentos eletrônicos utilizados pela sociedade, principalmente de celulares e microcomputadores, tem aumentado consideravelmente. Consequentemente, o volume de sucata eletrônica gerada a partir dos equipamentos eletrônicos que se tornam obsoletos a cada dia mais rápido, também está aumentando imensamente.

O meio mais indicado para tratamento dessa sucata eletrônica é a reciclagem, mesmo porque esse "lixo" eletrônico pode conter metais de elevado valor comercial: ouro, prata, platina, estanho e cobre.

Porém, no Brasil existem poucas empresas que atuam no ramo de reciclagem desse tipo de material, com tecnologia apropriada e condições de preservação ambiental. Sendo assim, muitas vezes esta sucata eletrônica acaba sendo despejada em aterros sanitários, juntamente com o lixo doméstico. Tendo em vista que os componentes desses equipamentos eletrônicos contêm elementos nocivos ao meio ambiente e à saúde dos seres humanos, faz-se necessário um gerenciamento apropriado desses resíduos.

Para evitar a disposição em aterros, tanto sanitários como industriais, os equipamentos e acessórios eletrônicos deveriam ser coletados e processados para reutilização total ou parcial dos seus componentes ou para recuperação dos metais e plásticos.

Painéis Solares

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A tecnologia das placas solares fotovoltaicas é imprescindível para o nosso planeta, por sua capacidade de gerar energia elétrica 100% limpa, através da conversão direta da luz do sol. Essas placas duram em média 25 anos e também precisam ser descartadas corretamente.

Segundo levantamento feito em 2016, pela Agência Internacional de Energias Renováveis, mais de 78 milhões de toneladas de equipamentos fotovoltaicos serão acumulados mundialmente até 2050 e, caso reciclados e inseridos de volta à cadeia de produção, o valor recuperado pode superar 15 bilhões de dólares.

Para os painéis de silício monocristalino já existem processos de reciclagem eficazes e com o mínimo de impacto ambiental. A Europa se destaca como o principal mercado de reciclagem, devido à adoção precoce e ampla aceitação dos consumidores na região. Os primeiros sistemas fotovoltaicos conectados à rede, on-grid, foram instalados na Alemanha, nos anos 90.

O painel solar é composto por diversos materiais, como placas de vidro, elementos metálicos condutores e células fotovoltaicas. A tecnologia usada na energia solar para compor as placas solares permite que boa parte dos materiais seja recuperada. Segundo pesquisas, até 97% dos materiais das placas podem ser reciclados. Na prática, quase todos os componentes podem ser usados novamente em outros processos.

Além de colaborar com o meio ambiente, a reciclagem permite a melhoria do potencial econômico do setor, uma vez que os materiais poderão ser utilizados, tanto em novas placas, quanto em outros componentes. Assim, não será preciso obter parte da matéria-prima, pois essa será recuperada.

Os pesquisadores também estão desenvolvendo técnicas para reutilizar o silício e a prata embutidos nos painéis. Eles purificam o silício por meio de processos pirotécnicos e hidro metalúrgicos para a reutilização na indústria de energia solar.

Os painéis solares de energia renovável têm papel essencial no combate às mudanças climáticas. Mas, também são peças complexas de tecnologia que se transformam em folhas grandes e volumosas de lixo eletrônico no final de suas vidas.

Hoje, quando os painéis solares chegam ao fim da vida útil, há alguns destinos possíveis. Pela legislação da União Europeia, os produtores são obrigados a garantir que os seus painéis solares sejam reciclados de forma adequada. No Japão, Índia e Austrália os requisitos de reciclagem estão em andamento. Já os Estados Unidos não apresentam muitas regras, com exceção de lei estadual em Washington, o país não tem legislação de reciclagem de energia solar. 

E no Brasil? Como sempre, atrasado! Está sendo construído acordo setorial para que seja feito o descarte correto dos painéis fotovoltaicos, paralelamente à expansão do mercado de energia solar. Especialistas estudam a criação de uma nova regra, implementada e fiscalizada pelo IBAMA, que classifique os resíduos fotovoltaicos como especiais, na lei da Política Nacional dos Resíduos Sólidos.

Sucata Eletrônica

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Você sabia que muitas empresas estão lucrando com a reciclagem de resíduos eletrônicos? É possível destinar corretamente equipamentos e acessórios eletrônicos que se tornam obsoletos ou apresentam defeitos. É possível reaproveitá-los e gerar renda.

Impossível pensar a vida moderna sem aparelhos eletroeletrônicos como televisores, tablets, notebooks e smartphones. Prova disso é que, nos últimos anos, a venda de aparelhos celulares no Brasil subiu mais de 100%.  Mas, aquilo que é uma solução para facilitar diversas rotinas ou receber, armazenar e comunicar informações por via eletrônica, pode se transformar num transtorno e em grande problema ambiental.

Segundo levantamento do Centro de Descarte e Reuso de Resíduos de Informática (CEDIR), da Universidade de São Paulo (USP), alguns resíduos apresentam elementos perigosos para a saúde, como o chumbo (utilizado em computadores, celular e televisão, pode causar danos ao sistema nervoso e sanguíneo); mercúrio (utilizado em computador, monitor e TV tela plana, pode causar danos cerebrais e ao fígado); cádmio (utilizado em computador e bateria de laptops, pode causar danos aos ossos, rins e pulmões); arsênio (utilizado em celular, pode causar doenças de pele, prejudica o sistema nervoso e pode causar câncer no pulmão); berílio (utilizado em computador e celular, pode causar câncer no pulmão).

Portanto, pelos elementos citados e presentes em quase tudo que usamos cotidianamente, praticamente todo consumidor é responsável e está contribuindo para a degradação ambiental do planeta, seja na retirada de minerais da Natureza, ou quando algo se torna obsoleto ou com defeito e o descarte é realizado incorretamente, seja diretamente pelo usuário ou, indiretamente, pelas empresas responsáveis pela coleta e despojo do “lixo”. 

Assim, melhor seria os críticos aos usuários de energias limpas e renováveis repensarem as avaliações e unir forças para realmente combater o mal do século XXI: a falta de ferramentas publicas e privadas para proteção ambiental, seja através de ações para saneamento básico, grilagem de terras, prevenção e combate ao desmatamento e às queimadas, recuperação e preservação das áreas de recarga, das matas ciliares, de galeria e das nascentes, ou de atitudes que visem a correta destinação dos resíduos industriais e humanos: o reaproveitamento e a reciclagem. 

Melhor nem apresentar aqui os impactos causados pela construção das hidroelétricas, sejam humanas, sociais ou ambientais, que ainda representam a maior parte da matriz energética brasileira.